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Havia uma vez, em um reino onde as nuvens pareciam açúcar e os rios cantavam berceus ao passar, uma menina chamada Aurora. Seu nome não era uma coincidência; quando nasceu, o céu se tingiu dos mais belos cores que já se viu: tons profundos de violeta, rosas brilhantes e dourados que faziam as estrelas piscarem. Sua mãe, a Rainha Elara, ao vê-la pela primeira vez, sussurrou ao ouvido da pequena: Aurora, filha linda, mamãe te ama mais que a todos os astros do firmamento. Essas palavras não eram apenas sons, eram uma melodia mágica que ficou guardada no coração da menina.
Aurora cresceu rodeada de amor e descobertas. Tinha os cabelos do cor de trigo ao entardecer e olhos que brilhavam com a curiosidade de quem quer conhecer cada canto do mundo. No entanto, Aurora tinha um pequeno segredo: às vezes, quando a noite se tornava muito escura ou quando os trovões rugiam durante as tempestades de verão, sentia um pequeno frio no peito, uma dúvida que a fazia perguntar se aquele amor tão grande de sua mãe ainda estaria ali, mesmo que ela não pudesse vê-la. Um dia, decidida a entender a força desse laço, Aurora decidiu empreender uma viagem pelos jardins flutuantes do palácio.
— Mamãe — perguntou Aurora enquanto caminhavam entre flores que mudavam de cor conforme o humor do vento —, como posso estar segura de que seu amor sempre me acompanha, mesmo que eu me afaste muito?
Elara sorriu com uma ternura que poderia derreter o gelo mais frio. — Minha filha, meu amor não é um objeto que se possa perder. É como o ar que você respira ou o calor do sol. Mas se você precisa de uma prova, hoje a procuraremos juntas.
Assim começou uma aventura pelo Vale dos Ecos. Nesse lugar, cada palavra amável que se dizia se transformava em uma borboleta de luz. Aurora correu pelo prado e gritou com todas as suas forças: Te amo, mamãe! No instante seguinte, milhares de borboletas turquesa cercaram sua mãe, formando uma coroa brilhante sobre sua cabeça. Aurora riu encantada, compreendendo que seus sentimentos tinham o poder de criar beleza. Mas a jornada mal começava.
Continuaram caminhando até chegarem ao Bosque dos Espelhos d'Água. Lá, as árvores tinham folhas que pareciam cristal e o chão estava coberto de charcos de água cristalina que não molhavam, mas mostravam recordações. Aurora se aproximou de um deles e viu o dia em que aprendeu a montar em seu unicórnio de madeira; no reflexo, sua mãe sempre estava atrás, pronta para segurá-la se ela tropeçasse. Em outro charco, viu como Elara lhe curava uma joaninha raspada com um beijo e uma canção.
— Veja, Aurora — disse a Rainha —. Meu amor não está apenas no presente, ele vive em cada lembrança que construímos e em cada passo que você dá para o futuro. Você é meu maior tesouro, minha pequena luz do amanhecer.
De repente, uma pequena sombra cruzou o céu. Era um dragãozinho de nuvens que se perdera e chorava gotas de chuva cinza. Aurora, ao vê-lo tão triste, sentiu uma pontada no próprio coração. Sem pensar duas vezes, aproximou-se do pequeno ser e ofereceu sua manta de seda dourada. — Não chore, pequeno — disse com suavidade —. Eu te ajudarei a encontrar sua família.
Elara observava sua filha com orgulho. Ao ver a compaixão de Aurora, compreendeu que o amor que lhe dera estava florescendo na alma da menina. Juntas, guiaram o dragãozinho para as Cumbres de Algodão, onde sua família o esperava ansiosamente. Ao ver o reencontro, Aurora sentiu um calor reconfortante no peito, o mesmo calor que sentia quando sua mãe a abraçava antes de dormir.
— O que você sente agora, Aurora — explicou Elara enquanto voltavam ao castelo sob a luz da lua —, é seu próprio amor se expandindo. O amor que eu te dou é a semente, mas você é o jardim. Aurora, filha linda, mamãe te ama, não é apenas uma frase, é a força que te permite amar os outros.
Naquela noite, enquanto se preparava para dormir, Aurora já não teve medo da escuridão. Olhou pela janela e viu como as estrelas formavam padrões que pareciam sorrisos. Percebeu que o amor de sua mãe era como um fio invisível de luz que as unia, independentemente da distância. Não importava se Aurora crescia e viajava para terras distantes, ou se tornava uma grande exploradora dos mares de cristal; aquele fio nunca se romperia.
Aurora se aconchegou na cama, sentindo o aroma de lavanda e mel que sempre desprendia sua mãe. Elara entrou no quarto para lhe dar o beijo de boas noites e a envolver com cuidado.
— Obrigada por hoje, mamãe — sussurrou Aurora com os olhos quase fechados pelo sono.
— Obrigada a você, meu raio de sol — respondeu Elara —. Nunca esqueça que você é corajosa, que é bondosa e que, o que acontecer, meu coração bate ao ritmo do seu.
Aurora adormeceu com um sorriso, sonhando com borboletas turquesa e dragões de nuvens. Em seu sonho, ela também era uma rainha, mas uma rainha da alegria, que distribuía abraços e palavras doces por todo o mundo. E no centro de seu sonho, sempre brilhava uma frase, escrita com letras de fogo e poeira de estrelas: Aurora, filha linda, mamãe te ama.
Desde aquele dia, cada vez que alguém no reino via a princesa Aurora, notava algo especial nela. Não era apenas sua beleza exterior, mas uma luz interna que parecia iluminar o caminho de quem estava triste. O amor de sua mãe se tornara seu superpoder, dando-lhe a segurança para ser ela mesma e cuidar dos outros. E assim, no reino das nuvens de algodão, o nome de Aurora tornou-se sinônimo de luz, esperança e, acima de tudo, do amor infinito que une uma mãe com sua filha.
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