A Pequena Sereia (baseada no conto de Andersen)
9 min de leitura · 6 a 10 anos
Bem longe da praia, onde o mar é azul como uma flor e fundo, muito fundo, ficava o castelo do Rei do Mar. As paredes eram de coral, as janelas de âmbar e o telhado de conchas que abriam e fechavam com a água. Ali morava o rei com suas seis filhas sereias, e quem cuidava delas era a avó, uma senhora sábia que usava doze ostras na cauda.
A mais nova das seis era a mais quieta e a mais sonhadora. Enquanto as irmãs enfeitavam seus jardins com coisas de navios afundados, ela plantou flores vermelhas como o sol e guardou uma única estátua de mármore: um menino que tinha caído de um barco. Todas as noites ela pedia à avó: «Me conta de novo como é lá em cima.» E a avó contava das cidades, das árvores, dos pássaros que cantavam no ar.
«Quando você fizer quinze anos, poderá subir até a superfície» dizia a avó. Uma a uma, as irmãs mais velhas fizeram quinze anos e subiram. Voltavam contando do pôr do sol, da neve, dos sinos das igrejas. A pequena sereia ouvia tudo e esperava, esperava…
Até que chegou o seu dia. Ela subiu leve como uma bolha e viu, pela primeira vez, o céu cor-de-rosa. Perto dela passava um grande navio, cheio de luzes e música. Era o aniversário de um jovem príncipe. Ela ficou olhando para ele a noite inteira.
De repente o céu escureceu. Veio uma tempestade enorme, o navio se partiu e o príncipe caiu no mar. A pequena sereia nadou entre as ondas, segurou a cabeça dele acima da água e, quando amanheceu, levou-o até uma praia perto de um templo branco. Escondeu-se atrás das pedras e viu uma moça encontrá-lo. O príncipe acordou e sorriu para a moça. Ele nunca soube quem o tinha salvado.
Daquele dia em diante a sereia ficou triste e calada. Perguntou à avó: «As pessoas vivem para sempre?» A avó explicou que as sereias vivem trezentos anos e depois viram espuma do mar, mas as pessoas têm uma alma que sobe ao céu. A pequena sereia desejou, com todo o coração, viver no mundo de cima.
Então ela fez uma coisa muito corajosa: foi até a casa da bruxa do mar, num lugar escuro de redemoinhos. A bruxa disse: «Sei o que você quer. Posso lhe dar pernas. Mas o preço é a sua voz, a voz mais bonita do fundo do mar. E se o príncipe se casar com outra, você não poderá voltar a ser sereia.» A pequena sereia pensou… e aceitou.
Ela bebeu a poção na praia e adormeceu. Quando acordou, tinha pernas, e o príncipe estava diante dela. Ele a levou para o palácio. Ela não podia falar, mas dançava com tanta leveza que todos ficavam encantados. O príncipe gostava muito dela, como se gosta de uma amiga querida, e a chamava de «minha menina dos olhos sinceros».
Um dia o príncipe viajou para conhecer a princesa de um reino vizinho. Quando a viu, exclamou: «Foi você que me salvou na praia!» Era a moça do templo. Ele não sabia a verdade, e a sereia não tinha voz para contar. O casamento foi marcado para dali a poucos dias, num navio enfeitado de bandeiras.
Na noite do casamento, as irmãs da pequena sereia apareceram nas ondas. Tinham dado os longos cabelos à bruxa em troca de um jeito de salvá-la: «Se você fizer mal ao príncipe, volta a ser sereia.» Mas a pequena sereia olhou para o príncipe dormindo, feliz, e não quis fazer mal a ninguém. Jogou longe o que as irmãs tinham trazido e saltou para o mar.
Ela não virou espuma. Sentiu-se subir, leve, e viu ao seu redor seres de luz, transparentes como o ar. «Somos as filhas do ar» disseram. «Você foi bondosa e corajosa. Venha conosco. Nós levamos brisa fresca para quem sente calor e o perfume das flores para quem está doente. Fazendo o bem, você vai ganhar a sua alma.» E a pequena sereia, pela primeira vez, sentiu lágrimas de alegria.
Para conversar: A pequena sereia escolheu não fazer mal a ninguém, mesmo triste. O que você acha dessa escolha? Que coisa boa você poderia levar para alguém, como as filhas do ar?