A história da Pequena Sereia

Esta é a história da Pequena Sereia baseada no conto de Hans Christian Andersen, publicado em 1837 na Dinamarca. É diferente da versão dos filmes: no conto original a sereia não tem nome, conversa com a avó no fundo do mar e faz um pedido muito corajoso à bruxa do mar. Recontamos a história com palavras simples, com um final suave para crianças, e preparamos também uma versão curta para a hora de dormir.

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Duas versões da Pequena Sereia

A primeira segue o conto de Andersen do começo ao fim, contada com cuidado para crianças. A segunda é curtinha e tranquila, boa para os menores na hora de dormir.

A Pequena Sereia (baseada no conto de Andersen)

9 min de leitura · 6 a 10 anos

Bem longe da praia, onde o mar é azul como uma flor e fundo, muito fundo, ficava o castelo do Rei do Mar. As paredes eram de coral, as janelas de âmbar e o telhado de conchas que abriam e fechavam com a água. Ali morava o rei com suas seis filhas sereias, e quem cuidava delas era a avó, uma senhora sábia que usava doze ostras na cauda.

A mais nova das seis era a mais quieta e a mais sonhadora. Enquanto as irmãs enfeitavam seus jardins com coisas de navios afundados, ela plantou flores vermelhas como o sol e guardou uma única estátua de mármore: um menino que tinha caído de um barco. Todas as noites ela pedia à avó: «Me conta de novo como é lá em cima.» E a avó contava das cidades, das árvores, dos pássaros que cantavam no ar.

«Quando você fizer quinze anos, poderá subir até a superfície» dizia a avó. Uma a uma, as irmãs mais velhas fizeram quinze anos e subiram. Voltavam contando do pôr do sol, da neve, dos sinos das igrejas. A pequena sereia ouvia tudo e esperava, esperava…

Até que chegou o seu dia. Ela subiu leve como uma bolha e viu, pela primeira vez, o céu cor-de-rosa. Perto dela passava um grande navio, cheio de luzes e música. Era o aniversário de um jovem príncipe. Ela ficou olhando para ele a noite inteira.

De repente o céu escureceu. Veio uma tempestade enorme, o navio se partiu e o príncipe caiu no mar. A pequena sereia nadou entre as ondas, segurou a cabeça dele acima da água e, quando amanheceu, levou-o até uma praia perto de um templo branco. Escondeu-se atrás das pedras e viu uma moça encontrá-lo. O príncipe acordou e sorriu para a moça. Ele nunca soube quem o tinha salvado.

Daquele dia em diante a sereia ficou triste e calada. Perguntou à avó: «As pessoas vivem para sempre?» A avó explicou que as sereias vivem trezentos anos e depois viram espuma do mar, mas as pessoas têm uma alma que sobe ao céu. A pequena sereia desejou, com todo o coração, viver no mundo de cima.

Então ela fez uma coisa muito corajosa: foi até a casa da bruxa do mar, num lugar escuro de redemoinhos. A bruxa disse: «Sei o que você quer. Posso lhe dar pernas. Mas o preço é a sua voz, a voz mais bonita do fundo do mar. E se o príncipe se casar com outra, você não poderá voltar a ser sereia.» A pequena sereia pensou… e aceitou.

Ela bebeu a poção na praia e adormeceu. Quando acordou, tinha pernas, e o príncipe estava diante dela. Ele a levou para o palácio. Ela não podia falar, mas dançava com tanta leveza que todos ficavam encantados. O príncipe gostava muito dela, como se gosta de uma amiga querida, e a chamava de «minha menina dos olhos sinceros».

Um dia o príncipe viajou para conhecer a princesa de um reino vizinho. Quando a viu, exclamou: «Foi você que me salvou na praia!» Era a moça do templo. Ele não sabia a verdade, e a sereia não tinha voz para contar. O casamento foi marcado para dali a poucos dias, num navio enfeitado de bandeiras.

Na noite do casamento, as irmãs da pequena sereia apareceram nas ondas. Tinham dado os longos cabelos à bruxa em troca de um jeito de salvá-la: «Se você fizer mal ao príncipe, volta a ser sereia.» Mas a pequena sereia olhou para o príncipe dormindo, feliz, e não quis fazer mal a ninguém. Jogou longe o que as irmãs tinham trazido e saltou para o mar.

Ela não virou espuma. Sentiu-se subir, leve, e viu ao seu redor seres de luz, transparentes como o ar. «Somos as filhas do ar» disseram. «Você foi bondosa e corajosa. Venha conosco. Nós levamos brisa fresca para quem sente calor e o perfume das flores para quem está doente. Fazendo o bem, você vai ganhar a sua alma.» E a pequena sereia, pela primeira vez, sentiu lágrimas de alegria.

Para conversar: A pequena sereia escolheu não fazer mal a ninguém, mesmo triste. O que você acha dessa escolha? Que coisa boa você poderia levar para alguém, como as filhas do ar?

A pequena sereia que queria ver o céu (versão curta)

3 min de leitura · 3 a 5 anos

No fundo do mar, num castelo de coral, morava uma pequena sereia. Ela tinha cinco irmãs e uma avó muito carinhosa.

Toda noite a avó contava histórias do mundo lá de cima: o sol, as flores, os passarinhos que voam. A pequena sereia ouvia de olhos bem abertos.

«Quando você crescer, vai poder subir para ver» dizia a avó. E a sereiazinha cuidava do seu jardim de flores vermelhas enquanto esperava.

Um dia, ela cresceu. Subiu, subiu, subiu, e colocou a cabecinha para fora da água. O céu estava cor-de-rosa, as gaivotas cantavam e a primeira estrela já brilhava.

«Que lindo!» disse ela. Ficou ali muito tempo, balançando nas ondas, olhando o céu.

Quando voltou para casa, a avó perguntou: «E então?» A pequena sereia se aconchegou nos braços dela e sussurrou: «Amanhã eu te conto, vovó.» E dormiu, embalada pelo mar.

Para conversar: Se você pudesse visitar o fundo do mar, o que gostaria de ver primeiro?

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Como contar a Pequena Sereia para crianças

  • O conto original é diferente do filme

    No conto de Andersen a sereia não tem nome, não há caranguejo nem peixinho amigo, e o final é agridoce. Se a criança só conhece o filme, conte que essa é a história «de antes», escrita há quase duzentos anos.

  • Escolha a versão pela idade

    Até uns 5 anos, a versão curta basta: a sereia, a avó e o céu. A partir dos 6, a versão completa funciona bem, e o final com as filhas do ar é consolador.

  • Fale do final com calma

    O príncipe não fica com a sereia. Muitas crianças perguntam por quê. É uma boa conversa sobre fazer o bem mesmo quando as coisas não saem como queríamos.

  • Repare na coragem dela

    A pequena sereia sai de casa, enfrenta a bruxa do mar e escolhe ser bondosa. Pergunte à criança qual foi o momento mais corajoso.

  • Leia devagar, com voz de mar

    Pausas, voz baixa e um «chhh» de onda ajudam a criança a imaginar o fundo do mar e a se acalmar antes de dormir.

Perguntas frequentes

Quem escreveu A Pequena Sereia?

O escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, em 1837. É um dos contos de fadas mais conhecidos do mundo e é de domínio público.

Qual é o final original da Pequena Sereia?

No conto de Andersen o príncipe se casa com outra moça. A sereia poderia voltar a ser sereia fazendo mal a ele, mas se recusa e se joga no mar. Ela não vira espuma: torna-se uma «filha do ar», que faz o bem para um dia ganhar uma alma.

A Pequena Sereia original tem nome?

Não. No conto de Andersen ela é chamada apenas de «a pequena sereia». O nome que muitas crianças conhecem vem de um filme, muito tempo depois.

A história é adequada para crianças pequenas?

A versão completa tem momentos tristes e funciona melhor a partir dos 6 anos. Para crianças de 3 a 5 anos, use a versão curta desta página, que é tranquila e termina com a sereia dormindo.

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