A história de João e Maria

João e Maria é um dos contos de fadas mais conhecidos do mundo, recolhido pelos Irmãos Grimm na Alemanha há mais de 200 anos. Aqui você encontra a história completa, recontada com carinho para ler em voz alta, e uma versão curtinha e sem sustos para os menores. No final, pode criar uma versão nova em que seu filho entra na floresta junto com João e Maria.

As histórias desta página são grátis. A primeira história criada no Cuenti também é grátis, sem cadastro.

João e Maria: a história completa

Recontamos o conto com palavras nossas, mantendo tudo o que importa: as pedrinhas brancas, as migalhas de pão, a casa de doces e a esperteza dos dois irmãos. As partes mais assustadoras ficaram mais leves, para ler antes de dormir.

João e Maria (versão completa)

9 minutos de leitura · 5 a 9 anos

Era uma vez, na beira de uma floresta enorme, um lenhador muito pobre que morava com seus dois filhos, João e Maria, e com a madrasta das crianças. Naquele ano a colheita tinha sido ruim, e em casa quase não havia o que comer.

Uma noite, sem conseguir dormir de fome, João ouviu a madrasta falando baixinho com o pai: «Amanhã levamos as crianças para o meio da floresta e as deixamos lá. Não temos pão para todos.» O pai ficou muito triste, mas acabou concordando.

Maria começou a chorar. «Não chore, irmãzinha» sussurrou João. «Eu tenho uma ideia.» Quando todos dormiram, ele saiu de mansinho para o quintal. A lua brilhava, e as pedrinhas brancas do caminho reluziam como moedas de prata. João encheu os bolsos com elas e voltou para a cama.

De manhã, a família entrou na floresta. A cada poucos passos, João parava e olhava para trás. «O que você tanto olha?» perguntou o pai. «Estou dando tchau para o meu gatinho no telhado» respondeu João. Mas, na verdade, a cada parada ele deixava cair uma pedrinha branca no chão.

No meio da floresta, os adultos acenderam uma fogueira e disseram: «Esperem aqui, vamos cortar lenha e já voltamos.» As crianças esperaram, esperaram, até adormecerem. Quando acordaram, já era noite e não havia ninguém.

«Espere a lua aparecer» disse João, segurando a mão da irmã. E quando a lua surgiu, as pedrinhas brancas brilharam no chão, uma depois da outra, como um caminho de estrelas. Os dois as seguiram a noite inteira e, ao amanhecer, bateram na porta de casa. O pai chorou de alegria ao vê-los.

Mas, pouco tempo depois, a fome voltou. E de novo a madrasta decidiu levar as crianças para a floresta, ainda mais longe. Dessa vez a porta estava trancada, e João não pôde sair para pegar pedrinhas. Só tinha um pedaço de pão no bolso. Pelo caminho, foi esfarelando o pão e deixando as migalhas no chão.

Quando a lua apareceu, os dois procuraram as migalhas. Mas não havia nenhuma: os passarinhos da floresta tinham comido todas. João e Maria andaram a noite toda e o dia seguinte inteiro, cada vez mais perdidos, com fome e com frio.

No terceiro dia, um passarinho branco cantou tão bonito num galho que os dois foram atrás dele. O passarinho os levou até uma clareira, e lá estava a coisa mais incrível que já tinham visto: uma casinha feita de pão de mel, com telhado de bolo e janelas de açúcar transparente.

Famintos, começaram a comer. João arrancou um pedaço do telhado, Maria lambeu uma janela. De dentro, uma voz perguntou: «Quem está mordendo a minha casinha?» A porta se abriu e saiu uma velhinha apoiada numa bengala. «Coitadinhos, entrem, entrem» disse ela. Deu-lhes leite, panquecas com mel e duas caminhas macias.

Mas a velhinha era, na verdade, uma bruxa, e tinha construído a casa de doces para atrair crianças. De manhã, ela trancou João numa gaiola e mandou Maria cozinhar para engordá-lo. Como a bruxa enxergava muito mal, todo dia pedia: «João, me mostre o dedo, quero ver se já engordou.» E o esperto João mostrava um ossinho de galinha. A bruxa apalpava e resmungava: «Ainda está magrinho!»

Depois de muitos dias, a bruxa perdeu a paciência. «Maria, veja se o forno já está quente» ordenou. Maria percebeu que era uma armadilha e fez cara de quem não entendia: «Não sei como se faz. Mostre para mim?» A bruxa, irritada, se abaixou e enfiou a cabeça no forno para mostrar. Num instante, Maria a empurrou para dentro, fechou a porta de ferro e correu para soltar o irmão.

Livres, os dois exploraram a casa e encontraram baús cheios de pérolas e pedras preciosas. Encheram os bolsos e o avental e partiram. No caminho, chegaram a um rio largo, sem ponte. Um pato branco nadava ali, e Maria pediu com educação: «Patinho, você nos leva para o outro lado?» O pato levou um de cada vez, porque juntos eram pesados demais.

Do outro lado, a floresta foi ficando conhecida, até que avistaram a casa do pai. Correram e se jogaram nos braços dele. O pai não tinha tido um só dia feliz desde que os deixara na floresta, e a madrasta já não morava mais lá. Com as pérolas, nunca mais faltou comida na mesa. E os três viveram juntos, felizes, para sempre.

Moral da história: Mesmo com medo, quem mantém a calma, usa a inteligência e não larga a mão de quem ama encontra o caminho de volta para casa.

João e Maria para os pequenos (versão curta, sem sustos)

3 minutos de leitura · 3 a 5 anos

João e Maria eram dois irmãos que moravam perto de uma floresta grande e verde.

Um dia, foram passear com o pai e se distraíram olhando as borboletas. Quando olharam em volta, o pai não estava mais lá. Estavam perdidos!

«Não tenha medo» disse João, segurando a mão de Maria. «Eu deixei pedrinhas brancas pelo caminho.» Mas o sol já estava se pondo, e as pedrinhas eram difíceis de ver.

Então um passarinho branco apareceu e cantou: «Venham comigo!» Os dois o seguiram até uma casinha muito engraçada, feita de biscoito, com telhado de chocolate e janelas de bala.

Na casinha morava uma senhora rabugenta que não gostava que comessem a sua casa. «Ei! Essa é a minha janela!» ela reclamou. Mas Maria pediu desculpas, João ajudou a consertar o telhado com glacê, e a senhora acabou sorrindo e oferecendo leite quentinho.

Quando a lua apareceu, as pedrinhas brancas começaram a brilhar no chão, uma depois da outra. João e Maria agradeceram, deram tchau e seguiram o caminho de luz.

No fim do caminho, lá estava o pai, com uma lanterna e os braços abertos. «Achei vocês!» E os três voltaram para casa de mãos dadas, para jantar e dormir quentinhos.

Moral da história: Juntos e com calma, a gente sempre acha o caminho.

Crie a sua versão de João e Maria

Seu filho entra na floresta junto com João e Maria. O Cuenti escreve e ilustra uma versão nova e curta, com o nome dele.

Opcional. Pode ser um apelido.

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Escolha uma versão

Como contar João e Maria para crianças

  • Escolha a versão pela idade

    Para 3 a 5 anos, a versão curta, sem bruxa má e sem abandono. A partir dos 5-6 anos, a versão completa costuma ser bem recebida, principalmente lida de dia ou com a luz acesa.

  • Destaque a esperteza das crianças

    O centro do conto não é o medo: é João com as pedrinhas e o ossinho, e Maria enganando a bruxa. Pergunte: «Qual foi a ideia mais esperta da história?»

  • Fale sobre o abandono, se ela perguntar

    Se a criança estranhar que os pais deixaram os filhos na floresta, explique que é uma história muito antiga, de uma época de muita fome, e que o pai se arrependeu e ficou muito feliz ao reencontrá-los.

  • Use a casa de doces como brincadeira

    Depois de ler, desenhem juntos a casa de doces: de que seria o telhado? E a porta? É uma ótima atividade para a educação infantil.

Perguntas frequentes

Qual é a moral da história de João e Maria?

A principal é que a inteligência e a coragem ajudam a vencer as dificuldades, e que irmãos unidos são mais fortes. Também ensina a desconfiar de quem oferece coisas boas demais, como uma casa feita de doces.

Quem escreveu João e Maria?

É um conto popular alemão, recolhido e publicado pelos Irmãos Grimm, Jacob e Wilhelm, em 1812, com o nome «Hänsel und Gretel». No Brasil e em Portugal ficou conhecido como João e Maria.

João e Maria é adequado para crianças pequenas?

A versão original tem abandono e uma bruxa que quer comer as crianças, o que pode assustar os menores de 5 anos. Para eles, leia a versão curta desta página, sem sustos. A versão completa funciona bem dos 5 aos 9 anos.

Qual a diferença entre João e Maria e a versão original?

Na versão dos Grimm, a madrasta (a própria mãe, nas edições mais antigas) convence o pai a abandonar as crianças, e Maria empurra a bruxa para o forno. Nossa versão completa mantém essa sequência com linguagem mais suave; a versão curta muda o enredo para os pequenos.

Posso criar uma versão com o nome do meu filho?

Sim. Escreva o nome no campo acima, escolha a idade e uma versão. O Cuenti escreve e ilustra uma história nova. A primeira é grátis, e o nome nunca aparece no endereço da página.

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