Pipoca, o coelho da orelha dobrada
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Na beira do bosque, numa toca cheia de túneis, morava uma família de coelhos. Todos tinham orelhas compridas e retinhas, que apontavam para o céu. Todos menos Pipoca. Uma das orelhas de Pipoca era dobrada para baixo, como uma folha cansada.
Na escola dos coelhos, alguns riam: «Pipoca, sua orelha está quebrada!» Pipoca tentava levantar a orelha com a pata, tentava prender com um galhinho, tentava dormir de cabeça para baixo. Nada funcionava. A orelha continuava dobrada.
Um dia, a professora Dona Lebre levou a turma para um passeio no campo de trevos. Os coelhinhos correram, pularam e comeram até a barriga ficar redonda. Ninguém prestou atenção no céu ficando escuro.
De repente, Pipoca sentiu uma coisa. Com a orelha dobrada encostada no chão, ele ouvia a terra tremer bem de leve: tum, tum, tum. «Gente, vem chuva forte! E tem alguma coisa grande andando lá longe!» Os outros riram: «Você não ouve nada com essa orelha torta!»
Mas Dona Lebre encostou a orelha no chão também, e ficou séria. «O Pipoca tem razão. Todos para a toca, agora!» Os coelhinhos correram em fila e entraram na toca bem a tempo. Lá fora caiu um temporal, e uma manada de vacas passou trotando pelo campo de trevos, assustada com os trovões.
Dentro da toca, quentinhos e secos, os coelhinhos olharam para Pipoca. «Como você sabia?» perguntou o Tico, que era o que mais ria. Pipoca deu de ombros: «Minha orelha fica mais perto do chão. Ela ouve coisas que as de vocês não ouvem.»
Desde aquele dia, ninguém mais riu da orelha de Pipoca. E quando a turma saía para passear, Dona Lebre sempre dizia: «Pipoca, vai na frente e escuta o chão para nós.»
Para conversar: A orelha diferente do Pipoca era justamente o que ele tinha de especial. E você, o que tem de diferente que é especial?