Tudo começou com um pedaço de lenha comum, desses que se usam para acender o fogo. Mas quando o velho Gepeto começou a esculpir, o pedaço de madeira riu e reclamou: «Ai, que cócegas!» Gepeto ficou espantado e decidiu fazer dele um boneco que soubesse dançar e dar cambalhotas. Chamou-o de Pinóquio.
Mal ficou pronto, Pinóquio saiu correndo pela rua, e Gepeto teve que correr atrás dele. De volta para casa, Pinóquio encontrou um grilo que morava ali havia mais de cem anos, o Grilo Falante. «Os meninos que desobedecem os pais e fogem de casa nunca se dão bem» disse o grilo. Pinóquio não quis ouvir e jogou um martelo nele. O grilo sumiu.
Gepeto era muito pobre, mas vendeu o seu único casaco para comprar uma cartilha para Pinóquio ir à escola. No caminho, Pinóquio ouviu música: era o teatro de bonecos. Vendeu a cartilha para comprar o ingresso. Os bonecos do teatro o reconheceram como um deles e fizeram festa, mas o dono do teatro, um homem enorme de barba preta chamado Come-Fogo, ficou furioso. No fim, Come-Fogo teve pena e deu a Pinóquio cinco moedas de ouro para levar ao pai.
No caminho de casa, Pinóquio encontrou a Raposa, que fingia ser manca, e o Gato, que fingia ser cego. «Se você enterrar suas moedas no Campo dos Milagres» disseram, «vai nascer uma árvore cheia de moedas!» Pinóquio acreditou. Os dois espertalhões o enganaram e ele ficou sem nada, perdido na floresta escura.
Quem o salvou foi a Fada dos cabelos azul-turquesa, que morava numa casinha branca no meio do bosque. Ela chamou médicos, deu remédio e perguntou onde estavam as moedas. Pinóquio mentiu, e o nariz cresceu. Mentiu de novo, e o nariz cresceu tanto que ele não conseguia mais virar a cabeça no quarto! A Fada riu e explicou: «As mentiras logo aparecem, como o nariz no meio da cara.» Ela chamou os pica-paus, que bicaram o nariz até ele voltar ao tamanho certo.
Pinóquio prometeu se comportar e até foi um bom aluno por um tempo. Mas seu colega Pavio, um menino que só pensava em brincar, o convidou para o País dos Brinquedos, um lugar sem escola, sem livros e sem professores, onde o domingo durava a semana inteira. Pinóquio foi. Brincaram por cinco meses. Até que uma manhã ele acordou com orelhas compridas, peludas… e virou um burrinho, como todos os meninos daquele lugar.
Pinóquio foi vendido para um circo, machucou a perna e foi jogado no mar. Lá, os peixes comeram a pele de burro e ele voltou a ser boneco. Mas logo apareceu um tubarão gigantesco, do tamanho de um prédio, que o engoliu de uma vez.
Dentro da barriga escura do tubarão, Pinóquio viu uma luzinha ao longe. Andou até ela e encontrou uma mesa, uma vela… e Gepeto! O velho pai tinha saído num barquinho para procurar o filho e tinha sido engolido dois anos antes. Os dois se abraçaram chorando de alegria.
Naquela noite o tubarão dormia de boca aberta, porque tinha asma. Pinóquio pegou o pai pela mão, passou pela língua, pelos dentes e, nadando com Gepeto nas costas, chegou até a praia. Foi a coisa mais corajosa que ele já tinha feito.
Gepeto estava fraco e doente. Pinóquio, pela primeira vez, trabalhou de verdade: puxava água do poço para um fazendeiro em troca de um copo de leite para o pai, fazia cestos à noite e estudava sozinho. Ele também reencontrou o Grilo Falante e pediu desculpas.
Uma noite, Pinóquio sonhou com a Fada, que dizia: «Muito bem, Pinóquio. Pelo seu bom coração, eu te perdoo.» Quando acordou, olhou no espelho e viu um menino de verdade, de cabelos castanhos e olhos azuis. Num canto do quarto, encostado numa cadeira, estava o velho boneco de madeira. «Como eu era engraçado quando era um boneco!» disse ele. E foi abraçar o pai.