A história do Soldadinho de Chumbo

O Soldadinho de Chumbo é um conto de Hans Christian Andersen, publicado em 1838. É a história de um soldadinho que tinha uma perna só, mas ficava firme como os outros, e que se apaixona por uma bailarina de papel. Ele cai da janela, navega num barquinho de papel pela enxurrada e é engolido por um peixe, sem nunca perder a coragem. Recontamos o conto com palavras simples e um final delicado, e fizemos também uma versão curta para os pequenos.

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Duas versões do Soldadinho de Chumbo

A primeira segue o conto de Andersen, com todas as aventuras do soldadinho. A segunda é curta e tem um final feliz, para crianças de 3 a 5 anos.

O Soldadinho de Chumbo (baseado no conto de Andersen)

7 min de leitura · 5 a 9 anos

Era uma vez vinte e cinco soldadinhos de chumbo, todos irmãos, porque tinham sido feitos da mesma colher velha de chumbo. Usavam casaco vermelho e calça azul e seguravam a espingarda no ombro. Foram o presente de aniversário de um menino, que gritou de alegria quando abriu a caixa: «Soldadinhos!»

Os vinte e cinco eram iguais, menos um. Para o último não tinha sobrado chumbo suficiente, e ele tinha uma perna só. Mesmo assim ficava de pé tão firme quanto os outros. E foi justamente esse soldadinho que viveu a história mais bonita.

Na mesa dos brinquedos havia um castelo de papel com um lago de espelho e cisnes de cera. Na porta do castelo estava uma bailarina, também de papel, com uma saia de musselina e uma fita azul presa por uma lantejoula brilhante. Ela dançava com os braços abertos e uma perna levantada tão alto que o soldadinho achou que ela, como ele, tinha uma perna só. «Ela seria a esposa certa para mim» pensou.

À meia-noite, quando a casa dormia, os brinquedos ganhavam vida. O quebra-nozes dava cambalhotas, o lápis desenhava na lousa. Só o soldadinho e a bailarina ficavam quietos, ele firme na sua única perna, ela na ponta do pé. Então a tampa de uma caixinha de surpresas se abriu, e dela saltou um boneco de molas, um diabinho de cara feia e ciumenta. «Soldadinho, pare de olhar para ela!» Mas o soldadinho fingiu que não ouviu.

Na manhã seguinte o menino colocou o soldadinho no peitoril da janela. Talvez tenha sido o vento, talvez o diabinho de molas: a janela abriu de repente e o soldadinho caiu de cabeça do terceiro andar, com a espingarda presa entre as pedras da calçada. Ele não gritou. Um soldado não grita.

Começou a chover forte. Quando a chuva parou, dois meninos de rua o encontraram. Fizeram um barquinho de jornal, colocaram o soldadinho dentro e o soltaram na enxurrada. O barquinho girava e corria, e o soldadinho ficava firme, olhando para a frente, com a espingarda no ombro.

A água entrou num cano escuro debaixo da calçada. Lá dentro morava um rato grande que gritou: «Mostre o seu passaporte!» Mas o barquinho passou depressa. No fim do cano havia um canal, e o barquinho, já molhado, foi afundando, afundando. O soldadinho pensou na bailarina e continuou firme.

De repente, um peixe grande o engoliu! Lá dentro era escuro e apertado, mas o soldadinho ficou deitado, firme, com a espingarda no ombro. O peixe foi pescado, levado ao mercado e comprado por uma cozinheira. Quando ela abriu o peixe na cozinha, gritou: «Olhem! O soldadinho de chumbo!» Era a mesma casa! O soldadinho foi posto de volta na mesa e lá estava ela, a bailarina, ainda na ponta do pé.

Os dois se olharam e não disseram nada. Então um dos meninos pequenos, sem motivo nenhum, jogou o soldadinho no fogão, e um vento abriu a porta e levou a bailarina de papel voando até ele, como uma borboleta. O soldadinho sentiu um calor enorme, mas ficou firme até o fim, olhando para ela.

No dia seguinte, quando a empregada limpou as cinzas, encontrou no fogão um pedacinho de chumbo em forma de coração. Da bailarina só tinha sobrado a lantejoula, brilhante como uma estrelinha. E os dois ficaram juntos, um coração e uma estrela, para sempre.

Para conversar: O soldadinho tinha uma perna só e mesmo assim nunca desistiu. O que você acha que ele sentia lá dentro do peixe? Você já foi corajoso numa situação difícil?

O soldadinho e o barquinho de papel (versão curta)

3 min de leitura · 3 a 5 anos

Numa caixa de brinquedos morava um soldadinho de chumbo. Ele tinha só uma perna, mas ficava de pé, bem firme, sem cair.

Na mesa morava uma bailarina de papel, que dançava na ponta do pé. O soldadinho gostava muito de olhar para ela.

Um dia, o vento abriu a janela e… opa! O soldadinho caiu lá fora, na rua. Começou a chover: plic, plic, plic.

Dois meninos encontraram o soldadinho e fizeram para ele um barquinho de papel. O barquinho navegou pela água da chuva, rodando, rodando. O soldadinho ficou firme.

O barquinho passou por um cano escuro, desceu uma rampinha e parou… bem na porta da casa do menino!

O menino ficou tão feliz que colocou o soldadinho na mesa, pertinho da bailarina. E ali ficaram os dois, juntinhos, olhando a lua pela janela.

Para conversar: O soldadinho ficou firme mesmo com medo. Mostre como você fica de pé com uma perna só!

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Como contar o Soldadinho de Chumbo para crianças

  • Fale da perna que faltava

    O soldadinho é diferente dos irmãos e mesmo assim é o mais firme. É uma ótima porta para falar de diferenças e de crianças com deficiência, sem pena e com admiração.

  • O final original é triste

    No conto de Andersen o soldadinho e a bailarina acabam no fogo. Para crianças pequenas, use a versão curta, que termina com os dois juntos. A partir dos 5 anos, o final do coração e da estrela costuma ser recebido com carinho.

  • Faça um barquinho de papel

    Depois da leitura, dobre um barquinho de jornal com a criança e coloque um bonequinho dentro. Brincar com a história ajuda a lembrar a sequência.

  • Conte a viagem em ordem

    Janela, chuva, barquinho, cano, rato, canal, peixe, cozinha. Peça para a criança recontar a viagem: isso treina memória e linguagem.

  • Firme como o soldadinho

    Brinque de ficar de pé numa perna só enquanto conta. As crianças adoram e entendem na pele o que é ficar «firme».

Perguntas frequentes

Quem escreveu O Soldadinho de Chumbo?

Hans Christian Andersen, escritor dinamarquês, em 1838. O título original é «O Soldadinho de Chumbo Constante» e o conto é de domínio público.

Qual é a moral do Soldadinho de Chumbo?

Ficar firme e fiel ao que se ama, mesmo nas dificuldades. O soldadinho tem uma perna só, cai, se perde e é engolido por um peixe, mas nunca perde a coragem nem esquece a bailarina.

Como termina a história original?

O soldadinho volta para a mesma casa dentro do peixe, mas acaba jogado no fogão. O vento leva a bailarina de papel até ele. No dia seguinte só sobra um coraçãozinho de chumbo e a lantejoula da bailarina.

A partir de que idade posso contar essa história?

A versão curta desta página serve para crianças de 3 a 5 anos e tem final feliz. A versão completa, com o final de Andersen contado com delicadeza, é indicada a partir dos 5 anos.

Posso criar uma história de brinquedos com o nome do meu filho?

Sim. Escreva o nome acima, escolha a idade e uma ideia, e o Cuenti escreve e ilustra uma história nova. A primeira é grátis e o nome nunca aparece no endereço da página.

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