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O sol entrou pela fresta da cortina, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar, mas Pedro não queria sair debaixo do seu cobertor quentinho. Hoje não era um dia comum. Hoje era o seu primeiro dia na escola nova, e dentro da barriga de Pedro, parecia haver um exército de borboletas fazendo piruetas. Ele olhou para o canto do quarto, onde sua mochila azul brilhante e seus sapatos novos esperavam pacientemente. Tudo parecia tão grande e desconhecido.
— Bom dia, meu amor! — disse a mãe de Pedro, abrindo a porta com um sorriso radiante. — Hoje é o grande dia! Vamos tomar um café da manhã de campeão?
Pedro suspirou. Ele gostava de aprender, gostava de histórias e de desenhar dinossauros, mas a ideia de um lugar cheio de pessoas que ele não conhecia o deixava com vontade de se esconder. Durante o café, ele mal tocou em sua torrada. O caminho até a escola foi curto, mas para Pedro, pareceu uma jornada até o outro lado do mundo. Ele segurava a mão da mãe com tanta força que seus dedos estavam ficando brancos.
Ao chegarem ao portão da escola, o barulho era imenso. Crianças corriam, pais se despediam e o sinal tocava uma melodia alegre. Pedro parou de repente. Seus pés pareciam colados no chão. Foi então que uma figura gentil se aproximou. Era uma mulher com um vestido florido e óculos redondos que pendiam de uma corrente colorida. Ela se abaixou para ficar da altura de Pedro.
— Olá! Eu sou a Professora Marina — disse ela, com uma voz que soava como música calma. — Você deve ser o Pedro. Estávamos todos ansiosos para te conhecer! Veja só que mochila incrível você tem. É da cor do oceano!
O elogio fez Pedro relaxar os ombros apenas um pouquinho. A Professora Marina não parecia assustadora; ela tinha um cheiro bom de canela e giz de cera. Ela estendeu a mão, não para puxá-lo, mas para convidá-lo. Pedro olhou para a mãe, que assentiu com um olhar encorajador, e então seguiu a professora para dentro da sala de aula.
A sala era um arco-íris vivo. Havia desenhos nas paredes, almofadas coloridas em um canto de leitura e blocos de montar espalhados por mesas redondas. Mas, apesar da beleza do lugar, Pedro ainda se sentia pequeno. Ele se sentou em uma cadeira e olhou para os próprios pés. Foi quando notou alguém ao seu lado.

Sentado na mesa vizinha estava um menino de cabelos espetados, vestindo uma camiseta de foguete. O menino estava abraçado à sua própria mochila e seus olhos estavam um pouco vermelhos, como se ele estivesse segurando o choro. Ele tremia levemente.
— Oi — sussurrou Pedro, sentindo uma onda súbita de coragem ao ver que não era o único que estava com medo.
O menino olhou para cima, surpreso. — Oi... Eu sou o Lucas.
— Eu sou o Pedro. Você também está com borboletas na barriga? — perguntou Pedro, lembrando-se da expressão que sua mãe usava.
Lucas soltou um pequeno riso nervoso. — Acho que as minhas borboletas estão jogando futebol. Eu nunca vim aqui antes. E se eu me perder?
— Eu também nunca vim — confessou Pedro. — Mas a Professora Marina disse que ia nos ajudar. E se a gente se perder, podemos nos perder juntos, aí não ficamos sozinhos.
Lucas sorriu de verdade dessa vez, e o medo nos seus olhos começou a diminuir. A Professora Marina se aproximou deles com uma caixa cheia de papéis e giz de cera.

— Que tal se vocês dois fizessem um desenho sobre o que mais gostam? — sugeriu ela. — Pedro, você pode mostrar ao Lucas como desenha aqueles dinossauros que sua mãe mencionou?
Pedro pegou um giz verde e começou a traçar o pescoço longo de um braquiossauro. Lucas, animado, pegou um giz laranja e desenhou um foguete bem ao lado do dinossauro. Eles passaram a manhã inteira conversando sobre planetas, fósseis e desenhos animados. Pedro descobriu que Lucas tinha um cachorro chamado Pipoca e que ele sabia assoviar.
Na hora do recreio, eles correram juntos para o escorregador. A escola, que antes parecia um monstro gigante e barulhento, agora parecia um castelo cheio de tesouros para explorar. A Professora Marina estava sempre por perto, organizando brincadeiras e contando histórias que faziam todos rirem.
Quando o sinal tocou no final do dia, Pedro ficou surpreso. O tempo tinha voado! Ele viu sua mãe esperando no portão e correu para dar um abraço nela.
— E então, como foi? — perguntou ela, curiosa.
— Foi incrível, mamãe! A Professora Marina é muito legal e eu conheci o Lucas. Ele também estava nervoso, mas agora somos uma equipe de exploradores! — Pedro exclamou, com os olhos brilhando.
Enquanto caminhava para casa, Pedro percebeu que as borboletas na sua barriga tinham ido embora. No lugar delas, havia uma sensação morna e feliz. Ele já não tinha mais medo do desconhecido, porque sabia que, na escola, sempre haveria uma mão amiga e uma nova aventura esperando por ele. O primeiro dia tinha acabado, mas era apenas o começo de uma grande história.
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