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As luzinhas coloridas piscavam na árvore de Natal da sala como se estivessem contando segredos umas para as outras. O cheiro de rabanada com canela e o perfume do pinheiro enchiam a casa de Tiago com uma magia que só acontece em dezembro. Tiago, um menino de cinco anos com cachinhos castanhos e olhos muito curiosos, observava os pacotes coloridos empilhados sob os galhos verdes. Ele estava muito feliz, mas, de repente, uma dúvida brotou em sua cabecinha, tão persistente quanto o brilho das estrelas lá fora. Ele correu até a cozinha, onde sua mãe organizava as frutas na fruteira, e perguntou com voz suave: — Mamãe, o Papai Noel traz presente para todo mundo, não é? Para as crianças, para os vovôs e até para os passarinhos? A mãe sorriu, passando a mão nos cabelos do filho, e confirmou que sim. — Mas mamãe — continuou Tiago, preocupado —, quem é que dá presente para o Papai Noel? Ele trabalha tanto, viaja o mundo inteiro no frio e ninguém coloca um embrulho com o nome dele debaixo da árvore?
A mãe de Tiago parou o que estava fazendo, surpresa com a doçura daquela pergunta. Ela se abaixou para ficar da altura dele e explicou que o Papai Noel ficava feliz apenas em ver a alegria dos outros. Mas Tiago não se deu por convencido. Ele achava que todo mundo merecia abrir um pacote com fita de cetim, especialmente alguém que espalhava tanto amor. Naquela tarde, enquanto o sol se punha pintando o céu de laranja e violeta, Tiago decidiu que o Natal daquele ano seria diferente. Ele pegou seus gizes de cera mais bonitos, um papel bem branquinho e alguns retalhos de pano que sua avó lhe dera. Ele não queria dar um brinquedo de plástico, pois o Papai Noel já tinha todos na sua oficina. Tiago queria dar algo que o bom velhinho pudesse guardar no coração para se aquecer durante as longas viagens pelo céu gelado.
Com muita concentração, Tiago desenhou um abraço. No papel, ele desenhou a si mesmo, sua família e o Papai Noel, todos de mãos dadas ao redor de um globo terrestre brilhante. Depois, com a ajuda da mamãe, ele preparou um pequeno pacote. Dentro, colocou o desenho, um biscoito de polvilho bem crocante — que era o seu favorito — e uma pedrinha azul e lisa que ele havia encontrado no jardim e que chamava de "pedra da sorte". Ele amarrou tudo com um barbante vermelho e escreveu, do seu jeitinho de quem está aprendendo as letras: "PARA O MEU AMIGO NOEL". Tiago colocou o presente bem na frente dos outros sapatos, perto da lareira de mentirinha que haviam montado com caixas de papelão, e esperou.
A noite caiu, silenciosa e estrelada. Tiago tentou ficar acordado, mas o sono veio de mansinho, como um gato de veludo. Ele adormeceu no sofá, enrolado em sua mantinha azul. No meio da madrugada, um som suave de sininhos e um deslocamento de ar fresco despertaram o menino. Ele abriu os olhos apenas uma frestinha e viu um vulto vermelho e branco, grande e fofinho, parado diante da árvore. O Papai Noel estava ali! Mas ele não estava colocando presentes no chão. Ele estava parado, segurando o pequeno pacote de Tiago com as mãos enluvadas. O bom velhinho parecia surpreso. Ele leu o bilhete devagar, e Tiago pôde ver, sob a luz do luar que entrava pela janela, uma lágrima de alegria brilhar nos olhos do Noel.
O Papai Noel sentou-se no chão com cuidado para não fazer barulho. Ele abriu o desenho e sorriu, um sorriso tão largo que fazia sua barba branca balançar. Ele comeu o biscoito de polvilho fazendo "croc-croc" e guardou a pedrinha azul no bolso mais fundo de seu casaco, bem perto do peito. Tiago sentiu uma vontade enorme de correr e dar um abraço de verdade, mas preferiu observar aquele momento mágico em silêncio. O Papai Noel olhou para o sofá, viu que o menino estava acordado e piscou um olho, colocando o dedo indicador sobre os lábios, pedindo segredo. Depois, com um gesto de mãos, ele fez surgir um brilho dourado que cobriu Tiago como um cobertor de luz. O velhinho sussurrou: — Obrigado, Tiago. Este foi o presente mais especial que recebi em cem anos.
Sem dizer mais nada, o Papai Noel se levantou com uma agilidade impressionante para o seu tamanho e desapareceu num piscar de olhos, deixando apenas o som distante de risadas e o tilintar das renas no telhado. Tiago suspirou, sentindo-se leve e imensamente feliz. Ele percebeu que, quando a gente dá algo com amor, a alegria volta para a gente em dobro. Ele se ajeitou na manta, fechou os olhos e sentiu o cheiro de magia que ainda pairava no ar. A sala parecia mais iluminada do que antes, não pelas lâmpadas, mas pelo carinho que agora transbordava de cada cantinho da casa.
Na manhã seguinte, quando o sol começou a espreitar por entre as cortinas, Tiago acordou com um beijo da mamãe. Ele correu até a árvore e viu que o seu pequeno pacote não estava mais lá. No lugar dele, havia uma cartinha escrita com letras douradas que dizia: "Obrigado pelo carinho, pequeno amigo. Guardarei seu desenho na parede da minha oficina para lembrar sempre que o amor é o melhor presente de todos". Tiago sorriu, sabendo que, em algum lugar lá no Polo Norte, o Papai Noel estava agora mais feliz por causa de um desenho e de uma pedrinha azul. E assim, com o coração quentinho, Tiago viveu o Natal mais bonito de sua vida, aprendendo que cuidar de quem cuida da gente é a maior lição que o Papai Noel poderia ensinar.
Moral: A maior alegria do Natal não está em receber, mas no gesto sincero de oferecer carinho a quem cuida de nós.
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