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Num final de tarde dourado, Alice estava sentada à sombra de uma grande árvore, sentindo o perfume das flores do campo e o calor suave do sol em seu rosto. Enquanto sua irmã lia um livro sem figuras e sem diálogos, Alice bocejava baixinho, imaginando como seria um mundo feito apenas de cores vibrantes e risadas constantes. De repente, algo extraordinário aconteceu: um coelho branco, vestindo um colete de veludo azul e carregando um relógio de bolso dourado, passou correndo e murmurando sobre estar terrivelmente atrasado. Curiosa como só uma criança pode ser, Alice não pensou duas vezes e o seguiu, entrando em uma toca escondida sob as raízes da árvore que parecia não ter fim. Ela não caiu depressa, mas sim flutuou como uma semente de dente-de-leão, observando quadros flutuantes e prateleiras cheias de potes de geleia nas paredes de terra, até aterrissar suavemente em um tapete de folhas secas e macias.
No fundo da toca, Alice encontrou um salão repleto de portas trancadas e uma mesinha de cristal onde brilhava uma chave minúscula. Ela avistou um frasco com uma etiqueta delicada que dizia "Beba-me" e, ao provar o líquido que tinha um gosto delicioso de torta de cereja, baunilha e pêssegos frescos, sentiu-se encolher até ficar do tamanho de uma bonequinha de pano. Logo depois, um bolinho com passas que dizia "Coma-me" a fez crescer tanto que sua cabeça tocou o teto de nuvens pintadas! "Que confusão mais curiosa!", exclamou ela, rindo da situação inusitada. Depois de algumas tentativas gentis, Alice encontrou o tamanho ideal e atravessou uma portinha que dava para o jardim mais vibrante que seus olhos já tinham visto, onde as margaridas fofocavam baixinho sobre o orvalho e o sol brilhava como ouro líquido sobre as fontes de água cristalina.
Caminhando pelo jardim, ela encontrou um gato listrado de sorriso largo e olhos cor de esmeralda, o Gato de Cheshire, empoleirado em um galho de árvore coberto de flores lilases. "Para onde devo ir?", perguntou Alice, ajustando seu vestido azul e sentindo a textura macia da grama sob seus pés. O gato, que aparecia e desaparecia como uma fumaça perfumada, respondeu com uma voz suave que todos ali eram um pouco malucos, mas de um jeito muito divertido e acolhedor. Seguindo a trilha de pedras coloridas que mudavam de cor a cada passo, Alice chegou a uma mesa enorme montada sob uma árvore frondosa, onde o Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março tomavam chá em xícaras de porcelana pintadas à mão. O bule soltava nuvens de vapor com cheiro de camomila e hortelã, e os pratos estavam repletos de biscoitos amanteigados que derretiam na boca.
"Sempre é hora do chá!", anunciou o Chapeleiro, oferecendo-lhe uma cadeira que parecia um abraço. A conversa na mesa era cheia de charadas divertidas e rimas que não faziam muito sentido, mas que faziam Alice gargalhar de felicidade. Eles falavam sobre como o tempo gostava de tirar sonecas à tarde e sobre como as canções de ninar podiam fazer as flores de lótus dançarem na água. Alice aprendeu que, no País das Maravilhas, a lógica era feita de pura imaginação e que não havia problema algum em não ter todas as respostas. "A vida é muito mais bonita quando deixamos espaço para o impossível", pensou ela, enquanto a Lebre de Março tentava, de forma muito gentil, colocar um pouquinho de mel no relógio do Coelho Branco para que as horas passassem mais devagar e o lanche durasse para sempre.
Logo depois, Alice chegou a um castelo majestoso feito de cartas de baralho coloridas, onde a Rainha de Copas organizava um jogo de croquet muito especial no gramado de veludo. Os flamingos eram os tacos e os ouriços eram as bolas, mas todos eram tratados com muito carinho e cuidado, como se fossem velhos amigos participando de uma brincadeira de quintal. A Rainha, que tinha uma voz poderosa mas um coração que adorava histórias, convidou Alice para ajudar a pintar as rosas brancas de vermelho, pois eram as suas favoritas. "Rápido, pequeno broto, as cores trazem alegria ao reino!", dizia a Rainha enquanto distribuía pincéis de cerdas macias. Alice divertiu-se manchando as pontas dos dedos de tinta e vendo o jardim se transformar em um mar carmesim, sentindo-se parte viva daquela pintura pulsante e mágica.
No entanto, o dia de aventuras estava chegando ao fim e as cores vibrantes do País das Maravilhas começaram a ficar suaves e mornas como um pôr do sol de aquarela. Alice sentiu uma brisa leve e morna balançar seus cabelos e as cartas de baralho começaram a voar ao seu redor, transformando-se em pétalas de flores que giravam em um redemoinho calmo e silencioso. Ela fechou os olhos por um momento, sentindo o aroma da grama fresca e o som distante das risadas do Chapeleiro. "Alice, acorde, querida Alice!", ouviu a voz doce e familiar de sua irmã. Ao abrir os olhos, ela percebeu que ainda estava sob a grande árvore, com a cabeça apoiada no colo da irmã, mas guardava no peito a certeza maravilhosa de que aquele mundo mágico estaria sempre a apenas um sonho de distância.
O sol já se escondia atrás das colinas, tingindo o céu de tons de lavanda e laranja suave. Alice contou para a irmã sobre o chá encantado, o gato risonho e a rainha das rosas, sentindo um sono gostoso e pesado envolver seu corpo pequeno. Ela percebeu que o mundo real também tinha sua magia especial, bastava olhar para as coisas com os olhos cheios de esperança e o coração aberto para o novo. Enquanto caminhavam de volta para casa sob a primeira estrela da noite, Alice prometeu que nunca deixaria de acreditar nas maravilhas que a mente pode criar. Naquela noite, ao encostar a cabeça no travesseiro macio, ela não precisou de muito tempo para reencontrar o Coelho Branco em seus pensamentos, pronta para mais uma jornada tranquila e colorida no reino dos sonhos, onde o carinho é a única regra e a imaginação nunca dorme.
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