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Era uma manhã de sol dourado na floresta, e o vento soprava um perfume doce de jasmim e terra molhada por entre as árvores centenárias. Todos os bichos estavam em polvorosa porque o Sabiá acabara de trazer uma notícia maravilhosa: haveria uma grande festa no céu naquela mesma noite, com direito a música e guloseimas espaciais. "Vai ter bolo de nuvem e suco de arco-íris para todos os convidados!", cantava o passarinho, enquanto batia as asas com uma alegria contagiante que fazia a mata vibrar. Os animais sem asas, porém, suspiravam com um pouquinho de melancolia, pois sabiam que o caminho até as nuvens era longo e alto demais para suas patinhas curtas e pesadas. O Jabuti, que era muito sabido e adorava uma boa comemoração, ficou sentado sobre uma pedra musgosa, pensando profundamente em como poderia participar daquela diversão celestial sem ter o dom de voar.
Enquanto caminhava devagarzinho perto do riacho cristalino, o Jabuti avistou algo brilhando fracamente entre as folhas secas de uma mangueira frondosa. Era uma pequena luz prateada, quase apagada, que parecia tremer como se estivesse sentindo um frio intenso no meio da mata fechada. Quando ele se aproximou com cuidado, percebeu que era uma pequena estrela, tão pequenina que cabia perfeitamente na palma da sua mão de casco. "O que faz aqui embaixo, amiguinha do brilho?", perguntou o Jabuti com sua voz calma, rouca e cheia de ternura. A estrelinha explicou, com um sussurro cintilante, que durante um bocejo muito forte, acabou escorregando do tapete da noite e caiu na Terra, perdendo quase todo o seu brilho mágico. Ela precisava desesperadamente voltar para a festa no céu, pois sem ela, o segredo do caminho de luz para os músicos convidados não poderia ser revelado.
O Jabuti, possuindo um coração tão grande quanto seu casco, prometeu imediatamente que daria um jeito de levá-la de volta para casa antes que a lua ficasse cheia no topo da montanha. "Não se preocupe, pequena Estrela, nós vamos dar um jeito de chegar lá em cima juntos e ninguém vai ficar de fora dessa festa", disse ele com um sorriso encorajador. Ele sabia que o Urubu era o mestre de cerimônias oficial e levaria sua enorme viola de madeira para tocar as mais belas canções durante o jantar nas nuvens. Sorrateiramente, o Jabuti caminhou até a casa do Urubu e viu o instrumento encostado num tronco de árvore, enquanto o pássaro preto tirava uma soneca revigorante. Com muito cuidado para não fazer nenhum barulhinho, o Jabuti ajudou a estrelinha a entrar no bocal da viola e, logo depois, ele mesmo se encolheu todo lá dentro, ficando bem quietinho.
O Urubu acordou animado, bocejou esticando as asas e, sem desconfiar de nada, colocou a viola nas costas e começou a bater suas asas fortes rumo ao firmamento infinito. O Jabuti sentia o balanço suave do voo e o vento lá fora assobiando entre as cordas de aço, criando uma melodia doce que o fazia querer fechar os olhos. Lá dentro do escuro, a estrelinha começou a brilhar um pouquinho mais forte, aquecendo o casco do Jabuti com um calorzinho de amizade e profunda gratidão. "Estamos quase chegando, sinto o cheiro das estrelas-cadentes", sussurrou ela, e o Jabuti sentiu um frio na barriga de pura emoção ao imaginar as nuvens de algodão doce. O Urubu cantava alegremente durante toda a subida, sem imaginar que carregava dois passageiros muito especiais em sua jornada musical para o alto da grande escada de ar.
Quando finalmente cruzaram o portão de luz, o Urubu deixou a viola num canto macio e correu para cumprimentar os outros músicos que já afinavam seus instrumentos para o baile. O Jabuti e a Estrela saíram do esconderijo com cautela e ficaram maravilhados com o que viram: mesas feitas de neblina branca cobertas com frutas que brilhavam como joias coloridas. Havia pássaros de todas as cores imagináveis, desde o azul-celeste da Arara até o vermelho-fogo do Cardeal, todos dançando elegantemente entre as estrelas que flutuavam pelo salão. A pequena estrelinha, agora sentindo-se segura em seu lar, deu um pulo de alegria e subiu rapidamente ao ponto mais alto do teto celeste para revelar seu segredo. Ao brilhar com toda a sua força recuperada, ela formou um caminho de luz prateada que guiava o som da música para todos os cantos do universo escuro.
Todos os convidados ficaram em absoluto silêncio por um momento, admirando a beleza daquela luz que parecia abraçar a cada um com um sentimento de paz e felicidade plena. O Jabuti, embora estivesse tentando se esconder atrás de uma nuvem-sofá, foi gentilmente apontado pela Estrela, que fez questão de iluminá-lo para que todos vissem seu grande salvador. "Este amigo corajoso me trouxe de volta quando eu estava perdida e sem brilho!", exclamou ela, e os pássaros, em vez de ficarem bravos com a intrusão, bateram as asas em aplauso. O Urubu, rindo da esperteza e da bondade do companheiro de floresta, convidou o Jabuti para se sentar à mesa principal e provar o famoso doce de orvalho. Foi a noite mais inesquecível da vida do Jabuti, que dançou devagarinho ao som das harpas e contou histórias da terra para as estrelas curiosas que o rodeavam.
Quando a festa começou a chegar ao fim e o sono chegou pesando as pálpebras cansadas, a Estrela pediu que o Urubu levasse o Jabuti de volta com todo o carinho e cuidado. O retorno para a floresta foi tranquilo e silencioso, com o Jabuti sonhando acordado enquanto olhava as luzes das cidades lá embaixo, que pareciam pequenas estrelas terrestres espalhadas pelo chão. Ao chegar em seu cantinho de folhas macias e secas, ele se ajeitou confortavelmente, sentindo o corpo relaxado e a alma transbordando de uma luz nova e especial. A estrelinha, lá do alto do céu, piscou para ele uma última vez antes de o sol nascer, enviando um raio de luz suave para cobri-lo como um cobertor quentinho. O Jabuti fechou os olhos devagar, ouvindo o silêncio da noite, e adormeceu profundamente, feliz por saber que o céu agora tinha uma amiga que sempre brilharia por ele.
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